terça-feira, 7 de fevereiro de 2017


A man and a woman dancing at sunset; a city view stretches out behind them. The woman is wearing a bright yellow dress, her partner is wearing a white coloured shirt and tie with dark pants.




"LA, LA LAND"
(La, La Land, 2016) 128 min

Direção: Damien Chazelle, 32 anos           Produção: Black Label Media &                                                                                          outras
Roteiro: Damien Chazelle
Música: Justin Hurwitz
Atores: Ryan Gosling, 36 anos = Sebastian
             Emma Stone, 28 anos = Mia
             JK Simmons = 62 anos, Bill

O título diz respeito a Los Angeles, a cidades das estrelas, ou dos anjos.
Musical saudosista do tempo em que Hollywood brilhava nesse gênero. Que, por sinal, é muito apreciado ainda entre os ingleses e franceses. Mas, estranhamente pouco admirado pelo público brasileiro atual. No passado tivemos os musicais da produtora Atlântida em que humoristas, cantoras e vedetes do "teatro de revista" faziam sucesso nos cinemas, no rádio e nos primórdios da TV brasileira. Estranhamente tudo isso esquecido no Brasil de hoje, que ainda gosta de Carnaval, mas de um jeito diferente e mais pasteurizado.

Mas voltando ao filme, ele não faz concessão à mediocridade musical que campeia por todo mundo e faz questão de homenagear o jazz e os grandes musicais do passado, com cenas inspiradas neles, como "Cantando Na Chuva" (1952), "Broadway Melody", "The Band Wagon" e outros. Belas canções como "City of Stars" e "The Fools Who Dream", ambas de Justin Hurwitz, descoberto pelo diretor-roteirista Damien Chazelle nos tempos que dividiam quarto quando eram estudantes de Harvard. Chazelle, um baterista que escreveu e dirigiu o espantoso "Whiplash" (2014) que concorreu ao Oscar, tinha preparado o roteiro desse "La La Land" já em 2010 e era o seu projeto mais ambicioso. Quiz mostrar o trabalho árduo de pessoas realmente talentosas em busca de um lugar ao sol. Com o sucesso de "Whiplash" conseguiu os 30 milhões de dólares necessários para um musical em Los Angeles. Apesar dos diretores de estúdios quererem inicialmente que o pianista de jazz da história fosse um cantor pop de rock. Vejam que estrago seria! Chazelle manteve-se fiel aos seus princípios. Os caras nem imaginam como tem gente ansiosa por ouvir boa música, boa história, boas interpretações com uma direção inspirada. O filme rendeu nos EE.UU e Canadá até 5 de fevereiro 118 milhões de dólares e no mundo 268 milhões de dólares. E papou vários prêmios como Globo de Ouro, SAG Awards e 14 indicações para o Oscar. Merecido!
           

Manchester by the Sea.jpg
"MANCHESTER À BEIRA MAR"
(Manchester By The Sea, 2016) 137 min

Direção: Kenneth Lonergan (54 anos)    Produção: K Period & outras
Roteiro: Kenneth Lonergan
Atores: Casey Affleck (41 anos) = Lee Chandler
             Michelle Williams (41 anos) = Randi
             Kyle Chandler (51 anos) = Joe Chandler
             Gretchen Mol (44 anos) = Elise
             Lucas Hedges (20 anos) = Patrick Chandler

Manchester-by-the-sea (MBS) é uma cidadezinha portuária de Massachussets, de 5000 habitantes e distante 39 km de Boston. Usada pelos bostonianos para fins-de-semana. Lee, o personagem de Casey Affleck é um morador de Quincy (subúrbio de Boston) que volta para sua cidade natal, MBS, para atender ao irmão mais velho Joe que acabara de sofrer outro ataque cardíaco. Essa viagem de volta à cidade natal faz renascer antigos conflitos internos e externos no seu personagem. Atormentado especialmente por uma tragédia familiar com suas filhas e que não cicatriza graças às frequentes acusações de sua ex-mulher Randi. Problemas familiares de sobra e mais a questão do testamento do Joe que pediu para que Lee fosse o tutor de Patrick, seu filho, um adolescente cheio de idéias próprias e hábitos destrutivos. A responsabilidade brota na cabeça de um Lee pouco responsável até então, e mais conflitos se acendem. O antigo barco de Joe parece ser enfim uma solução para muita coisa. Entre o amargor e a necessidade, as coisas vão se ajeitando.

Hollywood adora o tema "sentimental journey", isso de voltar atrás no tempo e no espaço para corrigir coisas que não ficaram devidamente cicatrizadas. Talvez ficasse bem se deixado na mão de pessoas talentosas. Não é o caso, todavia. Casey Affleck parece ter fugido das aulas de arte dramática, se é que foi matriculado alguma vez. Música esquecível. Produção barata. Michelle e Lucas dão o melhor de si, mas não seguram o filme. Fraco.