domingo, 5 de março de 2017

"NEBRASKA" (2013)

Nebraska Poster.jpg
Direção: Alexander Payne (56 anos)
Atores: Bruce Dern (80 anos) = Woody
             Will Forte (46 anos) = David
             Bob Odenkirk (54 anos) = Ross
             June Squibb (87 anos) = Kate
             Stacy Keach (75 nos) = Ed Pegram
Roteiro: Bob Nelson (60 anos)
Produtoras: Blue Lake + Bona Fide + Echo Lake + FilmNation
Custo: 12 milhões US$
Renda: 27,7 milhões US$

O filme é centrado no ótimo Bruce Dern que faz um idoso buscando descontar um bilhete premiado de 1 milhão de dólares. Sai à pé do estado de Montana onde vive, para Lincoln no Nebraska, onde já vivera. Mas não tem a menor ideia do tamanho dessa empreitada. Seu filho David quer ajudar o seu combalido pai, primeiro tentando demovê-lo da ideia, e depois de vencido, levando-o a salvo para o destino buscado. Para tanto, David alegou estar doente para não aparecer no trabalho e nessa viagem foi depois ajudado pelo irmão Ross, um substituto de âncora na TV local. Muitos desacertos no meio do caminho especialmente depois que os antigos amigos no Nebraska ficaram sabendo que o velho Woody ficara milionário de repente.   

Filme em preto-e-branco que acentua o tom melancólico dado pela boa trilha country de Mark Orton. E pelas atuações tocantes dos idosos da história, com notável participação de June Squibb que faz uma mulher ranzinza e desbocada, cansada do convívio com um perdedor. Ela ganhou vários prêmios regionais americanos como melhor atriz dramática. Bruce ganhou a Palma de Ouro de melhor ator no Festival de Cannes em 2013. O filme recebeu várias homenagens, premiações e indicações.

O diretor já fizera os ótimos "As Confissões de Schmidt" (2002), "Entre Umas e Outras" (Sideways, 2004) e "Os Descendentes" (2011). Pelo jeito, gosta de idosos. O roteirista escreveu ainda "The Confirmation" (2016), que ele mesmo dirige e sem registro no Brasil.

O filme é um retrato da cena americana no interior de um país que apostou tudo na globalização e exportou as companhias americanas, que buscaram contratar empregados mais baratos e obter incentivos fiscais no estrangeiro. Esta falta de perspectiva para os americanos pouco instruídos e com baixos salários certamente contribuiu muito para a eleição de Trump, que acenou com uma "America First". Compreensível a nostalgia que carregam. Os anos 50 e 60 foram de uma prosperidade nunca vista. As empresas americanas absorviam toda mão de obra pouco qualificada e todos ganhavam muito. Só que as empresas depois perceberam, especialmente nos anos Reagan, que poderiam ganhar mais. E fecharam milhares de fábricas com o desaparecimento de centenas de milhares de postos de trabalho.

Nebraska é um dos Estados americanos onde a roda da fortuna girou uma vez. Girará novamente? A ver. Recomendo muito esta elegia.

"JACKIE" (2016)


Direção: Pablo Larraín (40 anos)
Atores: Natalie Portman (35 anos) = Jacqueline Kennedy
             Peter Sagsgarrd (45 anos) = Bob Kennedy
             Billy Crudup (48 anos) = Theodore White
Roteiro: Noah Oppenheim (idade?)
Produção: Fabula + ED Entertainment + Wild Bunch
Custo: 9 milhões US$


A trama tem como base uma entrevista que a viúva Jacqueline (Jackie) Kennedy concedeu à revista Life pouco tempo após o assassinato de John Kennedy, na residência dos Kennedy em Hyannis Port (Massachussetts). O jornalista Theodore White entrevistou a ex-primeira dama num momento de tristeza e num misto de ressentimento, por ter sido retirada do pedestal mundial, e pelo desconforto de precisar se adaptar a um mundo menos resplandecente. Daí a recém viúva retirou a ideia de comparar sua vida junto a Kennedy na Casa Branca, de pouco mais de 2 anos, a uma Camelot americana. Um musical de Lerner e Loewe com esse título estava em cartaz na Broadway e fora vista pelo presidente Kennedy, que gostou muito, segundo Jackie. Ela fazia questão que essa comparação fosse lembrada na redação da entrevista. Uma exigência que White acabou cedendo com alguma resistência. E depois disso, Camelot virou sinônimo da era Kennedy na Casa Branca. Essa parte do filme, a da entrevista, propriamente dita, é ótima, porque os 2 atores mostram bem a saia-justa em que se viram: uma querendo o reconhecimento e a gratidão do povo americano e o outro na posição de fazer história e não ceder às pressões da viúva porque seu trabalho sairia menos jornalístico e mais parcial.

Mas no restante, o filme mostra uma composição muito estranha que Natalie Portman escolheu para fazer a sofrida Jacqueline Kennedy. Em primeiro lugar inventou uma fala que parecia mais de uma russa que acabava de aprender o inglês do que a de uma nativa nova-iorquina com ascendência   anglofônica (irlandeses, escoceses e ingleses). Se buscarmos no YouTube veremos que Jackie Kennedy falava baixo, de modo contido, mas suave. Não havia razão alguma para aquilo, que causa estranheza na audiência. E Natalie fala um inglês sem sotaque pois foi criada nos Estados Unidos desde os 3 anos de idade, embora nascida em Jerusalém e filha de um médico israelita e mãe igualmente israelita (e hoje sua agente, Avner Hershlag ). Não sei se o veganismo que adota alterou a sua dicção. Mas, piadas à parte, sua interpretação é fraca. O expectador fica mais impressionado com o modo de falar do que com o sofrimento, que certamente a personagem tinha, mas estaria longe daquilo que se vê na tela. O filme é centrado em Natalie Portman que não segurou bem essa responsabilidade.

É o oitavo filme do diretor chileno que já fez coisas boas como "Neruda" (2016), e a série para TV "Prófugos" (2011). Sua produtora Fabula faz a co-produção deste filme. O roteirista é Noah Oppenheim, diretor da NBC News e atua como roteirista e co-autor de "The Intellectual Devotional" uma compilação de 365 lições sobre 7 áreas do conhecimento: Matemática e Ciência, Literatura, Filosofia, Religião, Artes Visuais e Música). Pode? De quebra, já ganhou prêmios como roteirista no Festival de Veneza ("Jackie"), e Emmy de melhor roteiro para a TV. Tem especial interesse na História Americana. O seu blog merece uma visita: http://www.theintellectualdevotional.com/blog/.

quarta-feira, 1 de março de 2017

"ESTRELAS ALÉM DO TEMPO"
("Hidden Figures", 2016)

Three women standing in the foreground. In the background a rocket is launching.Direção: Theodore Melfi (46 anos)
Roteiro: Theodore Melfi
               Allison Schoroeder (idade?)
Produção: Fox + Chernin Entertainment + Levantine Films + TSG   
                 Entertainment
Atores: Taraji P Henson (46 anos) = Katherine Johnson
             Octavia Spencer (44 anos) = Dorothy Vaughan
             Janelle Monáe (31 anos) = Mary Jackson
             Kevin Costner (62 anos) = Al Harrison


Narrativa linear sobre a vida de 3 cientistas que trabalharam nos primórdios do projeto espacial americano e que, por serem negras, enfrentaram dificuldades para se impor profissionalmente. Eram elas: Mary Jackson (1921-2005), matemática e engenheira aeroespacial, Dorothy Vaughan (1910-2008), matemática e chamada de "computador humano" além de Katherine Johnson (1918), física e matemática, viva ainda hoje aos 98 anos e que recebeu a Medalha da Liberdade pelas mãos do presidente Barak Obama em 2015. Trabalhavam num setor segregado da NASA, para mulheres negras que usavam calculadoras (imagina o tamanho do trabalho que a NASA precisava nessa façanha inédita) chamado "West Area Computers". Este fato histórico, que hoje seria considerado um absurdo, obedecia a leis segregacionistas estabelecidas pelo presidente Woodrow Wilson no início do século XX. Deveriam comer e usar sanitários separados para "pessoas de cor". Mas a contribuição que deram não tinha cor e foram importantes para solucionar vários quesitos no imenso caminho que a NASA trilhou para colocar o primeiro homem na Lua. Os fatos do filme giram em torno de 1961 e, embora o presidente dos Estados Unidos naquele tempo e ainda o seu irmão, o Procurador Geral (esse nepotismo podia naqueles idos...), tenham trabalhado muito para livrar o país dessas leis, a coisa na NASA ainda obedecia aos critérios legais estabelecidos e todo mundo achava isso normal. Embora o mal estar fosse evidente.

O filme constrói bem a imagem das 3 pioneiras como mulheres numa área atribuível aos homens das ciências exatas, especialmente num trabalho que sabiam histórico, e mais ainda, por serem negras numa época em que a segregação era tida como normal. É agora um registro fascinante para nós, especialmente depois que o tempo nos separa dessa época e hoje percebemos tudo como superação. Enquanto negros eram espancados nas ruas do Sul eternamente segregador, ali na NASA o comportamento era menos intolerante, mas mesmo assim com a limitação que as leis permitiam ou exigiam.

Todas as 3 atrizes seguram bem os seus papéis, com destaque para Taraji Henson cuja história demanda mais da narrativa. E faz o papel da única sobrevivente dessa história, finalmente hoje divulgada e nos mostra que 55 anos de lutas foram necessários para que a nossa perspectiva fosse mudada. Apesar de alguns ainda viverem no passado.

Allison Schoroeder, passou sua infância na Flórida e tinha interesse pela NASA onde seus avós trabalharam. Cresceu aprendendo a contar histórias e a escrever roteiros para o cinema (Meninas Malvadas 2, Segurando as Pontas). Adaptou o romance de Margot Lee Shetterly (48 anos) junto com Theodore Melfi, o diretor em seu 4o. filme. Mandaram bem.

"MOONLIGHT"
Moonlight (2016 film).png("Sob a Luz do Luar", 2016)

Direção = Barry Jenkins (37 anos)
Roteiro = Barry Jenkins
Produção = A24 + Plan B Entertainment + Pastel Productions
Atores = Trevant Rhodes (27 anos) = Chiron adulto
               Ashton Sanders (21 anos) = Chiron jovem
               Alex Hibbert (12 anos) = Little
               Mahershala Ali (43 anos) = Juan

Segundo filme de Barry Jenkins, que dirigiu em 2008 "Medicine for Melancholy" igualmente roteirizado por ele. A história se divide em 3 partes (Little, Chiron e Black), que perfazem fases da vida de Chiron, um menino que convive com a mãe drogada e continuamente perseguido por gangues de menores que desejam surrá-lo. O menino adquire uma personalidade arredia e de poucas palavras até que conhece um traficante cubano que vive na mesma localidade (Liberty City - arredores de Miami). Juan o trata como um filho pois vê nele algo que ele fora no passado.

Daqui para frente não leia, se não assistiu o filme.

Há uma cena que sugere um batismo de Chiron/Little nas águas do mar e Juan se torna assim seu padrinho. A história avança pela vida sem rumo de Chiron e suas descobertas sexuais. Antes há uma cena em que Little, com a sua sufocante timidez pergunta a Juan, diante de sua namorada Teresa, o que seria o termo "bicha". E Juan relutante, explica que esse é o nome escolhido pelas outras pessoas para fazerem os gays se sentirem pra baixo. Em seguida pergunta se ele mesmo seria bicha. Juan, olha para Teresa primeiro e depois diz que não, pois na hora certa ele saberá disso. Ao que Little questiona como ele saberia ser um gay. Juan reitera que saberá na hora certa, mas anuncia: Nunca permita que os outros escolhem o que você será.

Apesar destas tocantes cenas, o filme tem um excesso de malabarismos de câmera, de cenas desfocadas, de filmagem com câmera na mão, rodopiando em volta dos personagens e excesso de primeiro plano, com os rostos preenchendo toda a tela. São excessos próprios dos realizadores jovens que acreditam estarem construindo uma grande obra e conclama a todos: - Vejam como sou genial!

Como "Animais Noturnos", peca pelo excesso. Poderia ser mais enxuto e mais contido. Um filme mais limpo sempre é mais elegante. Não cansa os expectadores e por isso, esses filmes são os que se destinam à História. "Moonlight" não é ruim. Só poderia ser melhor. Acho que o Oscar de melhor filme não lhe cabe. Tinha concorrentes melhores.

A versão brasileira para o título, mais uma vez, é detestável além de errada.

"ANIMAIS NOTURNOS"
(Nocturnal Animals, 2016)



Direção: Tom Ford (55 anos)
Roteiro: Tom Ford
Produção: Fade to Black Films
Atores: Amy Adams (42 anos) = Susan
             Jake Gyllenhaal (36 anos) = Edward/Tony
             Michael Shannon (42 anos) = Bobby
             Aaron Taylor-Johnson (26 anos) = Ray


Filme de artesão (não consigo esquecer essa definição aprendida com Ricardo Gomes Leite, um dos meus professores do inesquecível curso sobre Linguagem Cinematográfica, em 1985). Segundo ele, artesão é aquele que cumpre à risca e de modo bem feito um projeto encomendado. Não há aqui os traços de originalidade do "filme de autor" que prima pela coerência em sua obra, onde um filme isolado não encerra as lições a serem passadas pelo realizador. Ao contrário, nos filmes de autor, todos em conjunto trazem uma mesma mensagem, um comunicado que na totalidade fazem mais sentido que isoladamente. Isso é especial verdade em Hitchcock, em John Ford, em Spielberg, em Clint Eastwood, em Woody Allen, em Polansky, etc. Aqui, embora tenha filmado o seu próprio roteiro, parece que o abandonou e o seu lado estilista de moda demonstrou mais fôlego que o de cineasta.

Tom Ford realiza aqui o seu 2o. filme, depois de "A Single Man" ("Direito de Amar"), com Collin Firth em 2009, baseado no romance gay de Isherwood (que possui obra rica em personagens homossexuais). Em "Animais Noturnos" conta uma história de um duplo assassinato brutal perpetrado por valentões (um deles, Aaron Taylor-Johnson, impagável) no ambiente rural do Texas, terra natal de Tom Ford. Talvez por isso mesmo se sentisse à vontade para conta-la. Uma história terrível, como tantas outras, e contadas por tantos outros na TV e no cinema. E, como sempre, com final indesejável. Portanto, mais uma história banal. Mas o estiloso autor  (Tom Ford escreveu o roteiro) resolve compor um quadro cheio de belezas para essa história suja. E busca tomadas de câmera ousadas, cenas grotescas e escatológicas, ao som de uma trilha realmente muito boa. Mas nada que faça beneficiar a narrativa da história. E não contribui sequer para criar um clima especial, pois muitas vezes fora de contexto. Hitchcock já dizia "tudo que não favoreça a narrativa deve ser dispensado da tela". Essa insistência nos enfeites e no excesso de papel de embrulho só confunde o expectador. Aqueles menos treinados vão achar que isso é cinema. NÃO MESMO! Isso é como pegar um quadro pintado por um iniciante em arte, ignorante em tudo sobre o assunto, e colocar uma moldura colossal, a ouro, imensa, que só servirá para desviar o olhar para ela e não para o insignificante quadrinho, que continuará insignificante.

Mas Tom Ford mostra talento. Ele vai aprender, pois acredito que haja honestidade artística, especialmente porque não precisa do dinheiro de Hollywood para viver. Já está riquíssimo como estilista de moda. Tem idade para amadurecer suas ideias e coloca-las na verdadeira dimensão, sem perder tempo para tergiversações.

Em defesa de "La La Land"

Agnaldo Silva, novelista global de priscas eras, não gostou de "La La Land". Até ai tudo bem. Gosto não se discute. O incrível foi o argumento que usou. Disse que parecia tudo muito "ensaiadinho", com atores se esforçando nos números de dança, de música e canto. Ora, não é isso mesmo que suas novelas globais mais têm? A Globo pega qualquer cara bonitinha que aparece na mídia e lança nas novelas sem qualquer preparo em arte dramática. Há tempos faz isso e o empregado Agnaldo nunca pareceu reclamar. Ou essa reclamação agora é um extravasamento incontido de críticas que carcomiam suas entranhas, sem poder manifestar? E diz ainda que aquela mãozinha do Ryan Gosling é apenas fruto de ensaios intermináveis. Então, parabéns para o Ryan Gosling que atingiu a perfeição na cena mais divulgada do filme. Se o fizesse errado, seria motivo de chacota internacional, mas como fez certinho é motivo apenas de chacota desse despeitado tupiniquim. O mais louvável desse filme é o saudosismo de uma era maravilhosa dos musicais hollywoodianos. Nem tanto pelos números ensaiadinhos, que são de fato bem feitos e devem ser louvados por isso também. Então, para esse autor noveleiro, ensaio é pecado artístico? Para que servem os ensaios então, cara pálida? Sem eles nenhuma peça, concerto, musical, cinema, nada que signifique arte dramática teria qualidades suficientes para apresentação em público.

"La La Land" é o melhor filme da safra hollywoodiana de 2016. Um belo presente que é uma homenagem graciosa e encantadora daquele tempo que se faziam musicais inesquecíveis. Eis uma lista para ser conferida:

1) Cantando na Chuva - 1952
2) Sete Noivas Para Sete Irmãos - 1954
3) Rua 42 - 1933
4) A Alegre Divorciada - 1934
5) A Noviça Rebelde - 1965
6) My Fair Lady - 1964
7) Dançando Nas Nuvens  - 1955
8) O Rei e Eu - 1956
9) Sinfonia de Paris - 1951
10) O Mágico de Oz - 1939
11) La Violetera - 1958
12) Núpcias Reais - 1953

E muitos outros.... Graças a Deus!
O gênero sofre algum tipo de esquecimento e deve receber nova injeção de ânimo. E "La La Land" é uma boa injeção de ânimo. Bem realizado, bem dirigido, bem interpretado e com 2 canções maravilhosas que levam a gente a repeti-las mentalmente. Como não pode ser um grande filme?
É claro que é!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017


A man and a woman dancing at sunset; a city view stretches out behind them. The woman is wearing a bright yellow dress, her partner is wearing a white coloured shirt and tie with dark pants.




"LA, LA LAND"
(La, La Land, 2016) 128 min

Direção: Damien Chazelle, 32 anos           Produção: Black Label Media &                                                                                          outras
Roteiro: Damien Chazelle
Música: Justin Hurwitz
Atores: Ryan Gosling, 36 anos = Sebastian
             Emma Stone, 28 anos = Mia
             JK Simmons = 62 anos, Bill

O título diz respeito a Los Angeles, a cidades das estrelas, ou dos anjos.
Musical saudosista do tempo em que Hollywood brilhava nesse gênero. Que, por sinal, é muito apreciado ainda entre os ingleses e franceses. Mas, estranhamente pouco admirado pelo público brasileiro atual. No passado tivemos os musicais da produtora Atlântida em que humoristas, cantoras e vedetes do "teatro de revista" faziam sucesso nos cinemas, no rádio e nos primórdios da TV brasileira. Estranhamente tudo isso esquecido no Brasil de hoje, que ainda gosta de Carnaval, mas de um jeito diferente e mais pasteurizado.

Mas voltando ao filme, ele não faz concessão à mediocridade musical que campeia por todo mundo e faz questão de homenagear o jazz e os grandes musicais do passado, com cenas inspiradas neles, como "Cantando Na Chuva" (1952), "Broadway Melody", "The Band Wagon" e outros. Belas canções como "City of Stars" e "The Fools Who Dream", ambas de Justin Hurwitz, descoberto pelo diretor-roteirista Damien Chazelle nos tempos que dividiam quarto quando eram estudantes de Harvard. Chazelle, um baterista que escreveu e dirigiu o espantoso "Whiplash" (2014) que concorreu ao Oscar, tinha preparado o roteiro desse "La La Land" já em 2010 e era o seu projeto mais ambicioso. Quiz mostrar o trabalho árduo de pessoas realmente talentosas em busca de um lugar ao sol. Com o sucesso de "Whiplash" conseguiu os 30 milhões de dólares necessários para um musical em Los Angeles. Apesar dos diretores de estúdios quererem inicialmente que o pianista de jazz da história fosse um cantor pop de rock. Vejam que estrago seria! Chazelle manteve-se fiel aos seus princípios. Os caras nem imaginam como tem gente ansiosa por ouvir boa música, boa história, boas interpretações com uma direção inspirada. O filme rendeu nos EE.UU e Canadá até 5 de fevereiro 118 milhões de dólares e no mundo 268 milhões de dólares. E papou vários prêmios como Globo de Ouro, SAG Awards e 14 indicações para o Oscar. Merecido!
           

Manchester by the Sea.jpg
"MANCHESTER À BEIRA MAR"
(Manchester By The Sea, 2016) 137 min

Direção: Kenneth Lonergan (54 anos)    Produção: K Period & outras
Roteiro: Kenneth Lonergan
Atores: Casey Affleck (41 anos) = Lee Chandler
             Michelle Williams (41 anos) = Randi
             Kyle Chandler (51 anos) = Joe Chandler
             Gretchen Mol (44 anos) = Elise
             Lucas Hedges (20 anos) = Patrick Chandler

Manchester-by-the-sea (MBS) é uma cidadezinha portuária de Massachussets, de 5000 habitantes e distante 39 km de Boston. Usada pelos bostonianos para fins-de-semana. Lee, o personagem de Casey Affleck é um morador de Quincy (subúrbio de Boston) que volta para sua cidade natal, MBS, para atender ao irmão mais velho Joe que acabara de sofrer outro ataque cardíaco. Essa viagem de volta à cidade natal faz renascer antigos conflitos internos e externos no seu personagem. Atormentado especialmente por uma tragédia familiar com suas filhas e que não cicatriza graças às frequentes acusações de sua ex-mulher Randi. Problemas familiares de sobra e mais a questão do testamento do Joe que pediu para que Lee fosse o tutor de Patrick, seu filho, um adolescente cheio de idéias próprias e hábitos destrutivos. A responsabilidade brota na cabeça de um Lee pouco responsável até então, e mais conflitos se acendem. O antigo barco de Joe parece ser enfim uma solução para muita coisa. Entre o amargor e a necessidade, as coisas vão se ajeitando.

Hollywood adora o tema "sentimental journey", isso de voltar atrás no tempo e no espaço para corrigir coisas que não ficaram devidamente cicatrizadas. Talvez ficasse bem se deixado na mão de pessoas talentosas. Não é o caso, todavia. Casey Affleck parece ter fugido das aulas de arte dramática, se é que foi matriculado alguma vez. Música esquecível. Produção barata. Michelle e Lucas dão o melhor de si, mas não seguram o filme. Fraco.
           

domingo, 8 de janeiro de 2017

Lançando o Blog                                                 

Um bom dia para (re)começar.

Aqui será um local para se descansar. Prometo não repetir as publicações cansativas de outros locais. Por isso criei esse lugar. Por outro lado vou procurar conversar sem demonstrar irritação, soberba, arrogância ou mesmo um tom professoral, que desagrada até a mim mesmo. Esses excessos testosterônicos não cabem aqui. Não é uma promessa. É um desiderato. E, reconheço, posso fraquejar... O que pretendo é apresentar o meu ponto de vista. Já era hora de meus amigos e aqueles com quem gosto de conviver encontrarem algo mais sobre a minha linha de pensamento. Só meus amigos. Eles saberão quem sou. Desculpem-me os demais. Pompeu adora uma adega. Haviam adegas em Pompéia? E naquela outra cidade ali perto?

Assuntos:

1) Cinema: aquilo que me agrada ou me surpreende.
2) Literatura: idem.
3) Música: idem.
4) Eu mesmo: tentarei ser honesto.

PA