Atores: Natalie Portman (35 anos) = Jacqueline Kennedy
Peter Sagsgarrd (45 anos) = Bob Kennedy
Billy Crudup (48 anos) = Theodore White
Roteiro: Noah Oppenheim (idade?)
Produção: Fabula + ED Entertainment + Wild Bunch
Custo: 9 milhões US$
A trama tem como base uma entrevista que a viúva Jacqueline (Jackie) Kennedy concedeu à revista Life pouco tempo após o assassinato de John Kennedy, na residência dos Kennedy em Hyannis Port (Massachussetts). O jornalista Theodore White entrevistou a ex-primeira dama num momento de tristeza e num misto de ressentimento, por ter sido retirada do pedestal mundial, e pelo desconforto de precisar se adaptar a um mundo menos resplandecente. Daí a recém viúva retirou a ideia de comparar sua vida junto a Kennedy na Casa Branca, de pouco mais de 2 anos, a uma Camelot americana. Um musical de Lerner e Loewe com esse título estava em cartaz na Broadway e fora vista pelo presidente Kennedy, que gostou muito, segundo Jackie. Ela fazia questão que essa comparação fosse lembrada na redação da entrevista. Uma exigência que White acabou cedendo com alguma resistência. E depois disso, Camelot virou sinônimo da era Kennedy na Casa Branca. Essa parte do filme, a da entrevista, propriamente dita, é ótima, porque os 2 atores mostram bem a saia-justa em que se viram: uma querendo o reconhecimento e a gratidão do povo americano e o outro na posição de fazer história e não ceder às pressões da viúva porque seu trabalho sairia menos jornalístico e mais parcial.
Mas no restante, o filme mostra uma composição muito estranha que Natalie Portman escolheu para fazer a sofrida Jacqueline Kennedy. Em primeiro lugar inventou uma fala que parecia mais de uma russa que acabava de aprender o inglês do que a de uma nativa nova-iorquina com ascendência anglofônica (irlandeses, escoceses e ingleses). Se buscarmos no YouTube veremos que Jackie Kennedy falava baixo, de modo contido, mas suave. Não havia razão alguma para aquilo, que causa estranheza na audiência. E Natalie fala um inglês sem sotaque pois foi criada nos Estados Unidos desde os 3 anos de idade, embora nascida em Jerusalém e filha de um médico israelita e mãe igualmente israelita (e hoje sua agente, Avner Hershlag ). Não sei se o veganismo que adota alterou a sua dicção. Mas, piadas à parte, sua interpretação é fraca. O expectador fica mais impressionado com o modo de falar do que com o sofrimento, que certamente a personagem tinha, mas estaria longe daquilo que se vê na tela. O filme é centrado em Natalie Portman que não segurou bem essa responsabilidade.
É o oitavo filme do diretor chileno que já fez coisas boas como "Neruda" (2016), e a série para TV "Prófugos" (2011). Sua produtora Fabula faz a co-produção deste filme. O roteirista é Noah Oppenheim, diretor da NBC News e atua como roteirista e co-autor de "The Intellectual Devotional" uma compilação de 365 lições sobre 7 áreas do conhecimento: Matemática e Ciência, Literatura, Filosofia, Religião, Artes Visuais e Música). Pode? De quebra, já ganhou prêmios como roteirista no Festival de Veneza ("Jackie"), e Emmy de melhor roteiro para a TV. Tem especial interesse na História Americana. O seu blog merece uma visita: http://www.theintellectualdevotional.com/blog/.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Coemente aqui: