(Nocturnal Animals, 2016)
Direção: Tom Ford (55 anos)
Roteiro: Tom Ford
Produção: Fade to Black FilmsAtores: Amy Adams (42 anos) = Susan
Jake Gyllenhaal (36 anos) = Edward/Tony
Michael Shannon (42 anos) = Bobby
Aaron Taylor-Johnson (26 anos) = Ray
Filme de artesão (não consigo esquecer essa definição aprendida com Ricardo Gomes Leite, um dos meus professores do inesquecível curso sobre Linguagem Cinematográfica, em 1985). Segundo ele, artesão é aquele que cumpre à risca e de modo bem feito um projeto encomendado. Não há aqui os traços de originalidade do "filme de autor" que prima pela coerência em sua obra, onde um filme isolado não encerra as lições a serem passadas pelo realizador. Ao contrário, nos filmes de autor, todos em conjunto trazem uma mesma mensagem, um comunicado que na totalidade fazem mais sentido que isoladamente. Isso é especial verdade em Hitchcock, em John Ford, em Spielberg, em Clint Eastwood, em Woody Allen, em Polansky, etc. Aqui, embora tenha filmado o seu próprio roteiro, parece que o abandonou e o seu lado estilista de moda demonstrou mais fôlego que o de cineasta.
Tom Ford realiza aqui o seu 2o. filme, depois de "A Single Man" ("Direito de Amar"), com Collin Firth em 2009, baseado no romance gay de Isherwood (que possui obra rica em personagens homossexuais). Em "Animais Noturnos" conta uma história de um duplo assassinato brutal perpetrado por valentões (um deles, Aaron Taylor-Johnson, impagável) no ambiente rural do Texas, terra natal de Tom Ford. Talvez por isso mesmo se sentisse à vontade para conta-la. Uma história terrível, como tantas outras, e contadas por tantos outros na TV e no cinema. E, como sempre, com final indesejável. Portanto, mais uma história banal. Mas o estiloso autor (Tom Ford escreveu o roteiro) resolve compor um quadro cheio de belezas para essa história suja. E busca tomadas de câmera ousadas, cenas grotescas e escatológicas, ao som de uma trilha realmente muito boa. Mas nada que faça beneficiar a narrativa da história. E não contribui sequer para criar um clima especial, pois muitas vezes fora de contexto. Hitchcock já dizia "tudo que não favoreça a narrativa deve ser dispensado da tela". Essa insistência nos enfeites e no excesso de papel de embrulho só confunde o expectador. Aqueles menos treinados vão achar que isso é cinema. NÃO MESMO! Isso é como pegar um quadro pintado por um iniciante em arte, ignorante em tudo sobre o assunto, e colocar uma moldura colossal, a ouro, imensa, que só servirá para desviar o olhar para ela e não para o insignificante quadrinho, que continuará insignificante.
Mas Tom Ford mostra talento. Ele vai aprender, pois acredito que haja honestidade artística, especialmente porque não precisa do dinheiro de Hollywood para viver. Já está riquíssimo como estilista de moda. Tem idade para amadurecer suas ideias e coloca-las na verdadeira dimensão, sem perder tempo para tergiversações.
Interessante seu ponto de vista, apesar de eu acreditar que, para mim o importante mesmo é que o filme me entretenha. Nesse sentido achei a direcao bastante bem sucedida. Claro, cada espectador se relaciona com um tipo de historia diferente. No meu caso, animais noturnos conversou bem comigo!
ResponderExcluirAndré Bazin, o grande crítico de cinema francês que formou a geração da "Nouvelle Vague" do cinema francês dos anos 50-60, e um dos mais influentes escritores sobre cinema do mundo, disse uma vez: "A função do crítico não é trazer numa bandeja de prata uma verdade que não existe, mas prolongar o máximo possível, na inteligência e na sensibilidade dos que o lêem, o impacto da obra de arte". ótimo que esse filme tenha "conversado" com vc! Tom Ford queria isso, tenho certeza. Quando alguém critica não significa que desmereça o trabalho do artista, apenas que entre tantas obras, a posição daquela é algo mais abaixo de outras. Só isso.
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